domingo, 28 de novembro de 2010

O que é o Shofar?


A tradução da palavra shofar é “chifre de carneiro” e ela aparece 72 vezes no Antigo Testamento. A sua finalidade na história do povo de Israel associa-se ao culto divino e às festas religiosas. A fé de Israel, nesse sentido, esteve sempre marcada pela iniciativa de Deus para salvar o seu povo das ameaças dos inimigos. Com essa finalidade, o shofar era usado nos tempos antigos como um chamado para a guerra.
Já antes de tomar posse e estabelecer-se na terra de Canaã, o shofar era tocado – durante os dias em que os israelitas vagavam pelo deserto – como sinal para retomarem a caminhada e seguirem na direção do seu destino final pata a Terra prometida. De modo especial e solene, o shofar foi ouvido quando o povo judeu se reuniu ao pé do Monte Sinai para receber a Torá. Já instalados na terra de Canaã, os israelitas faziam ecoar o shofar para proclamar a coroação de um novo rei, para convocar as reuniões, para anunciar o Ano do Jubileu e a chegada da Lua Nova. De acordo com a tradição, o profeta Elias, arauto da Redenção, soará o shofar para anunciar a vinda gloriosa do Messias.
Do mesmo modo, o som do shofar soa frequentemente na festa do Rosh Hashaná (o Ano Novo) anunciando a iminência do juízo de Deus sobre todo vivente. Dez dias depois, na tarde do Dia da Expiação, o mesmo som declara que, finalmente, pronunciou-se a sentença inapelável. Os dez dias intermédios entre as duas festas são dias em que, de modo especial, recorre-se à conversão. Em Ano Novo ainda não se decidiu nada definitivamente: ainda é possível que o homem, voltando-se para Ele, encontre misericórdia e compaixão.
No Ano Novo o som do shofar tem um duplo sentido: por um lado, anuncia a iminência do juízo de Deus, isto é, todos os homens são convocados ante o Juiz divino para serem examinados das suas ações sob a luz do código da aliança. Trata-se de um juízo para chamar à conversão e dar o perdão. Mas por outro lado, o som do shofar tem caráter de memorial, já que lembra a Deus o carneiro oferecido em sacrifício por Abraão em lugar de Isaac e, desse modo, traz à memória o fato de que Deus jurou fidelidade à descendência de Abraão. Assim, o shofar representa a misericórdia do Criador para com os homens. O som do chifre de carneiro é símbolo de Deus que convoca, como no Sinai (cf. Ex 19,16) e pede ao povo obediência e fidelidade. O seu som nesta festa é um convite ao povo a lembrar e renovar a fidelidade à Aliança.
O filósofo Maimônides identificava o toque do shofar com um chamado à introspecção e à ação: “Acordem do seu sono , vocês que estão dormindo! Reexaminem seus atos. Lembrem-se de Deus e retornem a Ele”. O shofar desperta o homem da sua letargia e incita-o a incorporar em seu cotidiano os verdadeiros e eternos valores morais.
O shofar anuncia aquilo que está pronto para acontecer, porque o tempo está cumprido. A voz do shofar é a voz profética de Deus que anuncia que o tempo chegou e que é a hora do cumprimento de seus desígnios. De fato, o Verbo de Deus – Jesus Cristo – encarnou-se e entrou na história, e voltará glorioso como Rei e Senhor de toda a criação.
O toque do shofar é profético, pois para cada uma das ocasiões havia uma preparação da parte do exército ou do povo quando ouvia o toque do shofar. Cada toque tinha um significado para cada ocasião em especial. O povo de Israel, que convivia diariamente com isso, aprendeu a discernir cada toque do shofar: “E, se a trombeta emitir um som confuso, quem se preparará para a guerra?”(1 Cor 14,8).
O fim dos tempos aproxima-se de todo homem e o cristão aguarda pelo toque do shofar: “O Filho do Homem enviará os seus anjos que, ao som da grande trombeta, reunirão os seus eleitos dos quatro ventos, de uma extremidade até a outra extremidade do céu” (Mt 24,31). O mesmo som que alertará para o arrebatamento, também será usado por Deus para despertar os mortos: “Quando o Senhor, ao sinal dado, à voz do arcanjo e ao som da trombeta divina, descer do céu, então os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro” (1 Tes 4,16). As notas que o shofar emite conclamam ao despertar para a necessidade de comunhão entre irmãos, o retorno à fé e a Deus, e a um exame individual de consciência.

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